As seis qualidades libertadoras PDF Imprimir E-mail

As seis qualidades libertadoras

 

Extratos e citações do livro “A preciosa jóia da libertação“ de Gampopa

 

  1. A qualidade libertadora da Generosidade

 

“A generosidade leva os seres presos no sofrimento à completa maturidade”.

 

“Para os generosos não é difícil alcançar a iluminação”.

 

O que é a generosidade?

É uma atitude espiritual que surge do desapego, espontaneamente, e que leva às ações generosas e ao total desprendimento de posses.

 

Diferenciamos três formas de generosidade: a doação de coisas materiais,  a doação da perda do temor e a doação do ensinamento precioso. A doação das coisas materiais traz segurança para a existência física de outros. A doação da perda do temor (isto é, da proteção contra o perigo) traz segurança à vida de outros e a doação do ensinamento precioso traz segurança ao espírito de outros.

 

“O Bodhisattva não faz doações para ser louvado e elogiado”.

“O Bodhisattva não faz doações para ultrapassar o outro”.

“O Bodhisattva doa com alegria, respeito, por si mesmo, no tempo certo e sem prejudicar outros”.

“Bodhisattvas não doam nada que prejudique ou proporcione sofrimento, mesmo quando induzidos a tal”.

 

  1. A qualidade libertadora da disciplina

 

  “Da mesma maneira que ninguém pode andar sem os pés, ninguém pode encontrar a liberação sem disciplina”.

 

 “Assim como a terra contém o animado e o inanimado, a disciplina é o  fundamento de todas as qualidades”.

 

Distinguimos três tipos de disciplina:

        A disciplina através do voto/compromisso, que impede ações nocivas;

        A disciplina da realização de ações saudáveis;

        A disciplina que proporciona o bem estar de todos os seres.

 

A primeira estabiliza a mente. A segunda amadurece as nossas próprias qualidades, e a terceira proporciona o amadurecimento completo a todos os seres.

 

Quando você encontrar as pessoas, olhe para elas com abertura e amor, e pense que é a elas que você irá agradecer a chance de se tornar um Buddha”.

 

“Quem age com amor e está realmente disponível  para agir beneficamente não cometerá erros”.

 

  1. A qualidade libertadora da paciência

 

“Quando não possuímos paciência, atraímos medos e raivas como uma flecha envenenada que nos atinge profundamente, e o nosso espírito irrequieto não encontrará mais nenhuma felicidade, nenhuma alegria nem paz, e finalmente tampouco conseguirá dormir”.

 

“A iluminação virá quando compreendermos que o aborrecimento não é o caminho do Buddha, e praticarmos continuamente o amor”.

 

A essência  consiste em não  deixar que nada perturbe o nosso sossego, e isso somente acontece quando o espírito se encontra livre de ambições pessoais e cheio de compaixão. Distinguimos três formas de paciência:

  a paciência de ficar impassível diante do sofrimento infringido por outros;

  a paciência de aceitar o sofrimento que acontece sem intervenção  de outros;

  a paciência da ambição de certezas sobre o Dharma.

 

A primeira forma de paciência nasce a partir da investigação  da verdadeira natureza daqueles que nos fizeram mal. A segunda nasce a partir da investigação da natureza do sofrimento, e a terceira a partir do exame detalhado da natureza verdadeira de todos os fenômenos.

 

“Eu devo sentir alegria por ter inimigos, porque eles me ajudam na prática do comportamento iluminado. Graças a eles  posso praticar a paciência, e assim eles devem ser os primeiros a se beneficiar dos frutos dela, uma vez que são  a origem da minha paciência”.

 

“Aquele que supera a raiva com determinação é feliz agora e no futuro”.

 

  1. A qualidade libertadora da alegre perseverança

 

Através da alegre perseverança as qualidades não diminuem. Ao invés de perdê–las, encontramos o tesouro dos vencedores, que é a consciência original”.

 

O que é alegre perseverança?

É uma atitude do espírito que encontra verdadeira satisfação nos atos benéficos – o antídoto da preguiça. Existem três tipos de preguiça:

        A preguiça  indiferente ou  da inatividade, que consiste no apego às comodidades do conforto;

        Na preguiça do desalento pensamos: “Como poderia alguém tão insignificante quanto eu,  mesmo me esforçando, alcançar a iluminação?”

        A preguiça inferior consiste no apego às ações maléficas, assim como no desejo de vencer os inimigos,  acumular bens  e coisas do gênero.

 

A alegre perseverança em executar  ações benéficas é reconhecida através do entusiasmo constante,  da vontade inabalável, da  decisão irrevogável e da humildade.

 

A Alegre Perseverança contém a qualidade da humildade, quando estamos livres do orgulho e da arrogância em todas as nossas ações.

 

  1. A qualidade libertadora da estabilidade meditativa

 

“As pessoas com o espírito distraído vivem nas garras do deslumbramento emocional”.

 

“Caso a tranqüilidade do espírito não seja realizada, não teremos uma consciência clara. E sem a força da  consciência clara, não seremos capazes de proporcionar o bem estar dos seres”.

 

“Através da estabilidade meditativa, os objetos de atração sensual perdem o seu encanto, e realizamos a compreensão, a consciência clara e a meditação profunda”.

 

O que é a estabilidade meditativa?

A essência da estabilidade meditativa é a serenidade espiritual (Shamata). A sua natureza é a de uma mente interior, que paira exclusivamente em direção ao saudável. 

 

Para alcançar tal estabilidade meditativa temos que desistir de tudo que não a favorece e que a distraia. Então desista primeiro da distração. Para isto é necessário o retiro físico, mediante a renúncia à atividade, e o retiro espiritual, deixando de lado o intelecto.

 

A característica da atividade física é a constante distração pela ocupação com as nossas crianças, parceiros e amigos ou com os nossos pertences.

A causa dessa atividade é o nosso apego aos seres, a coisas materiais e ao reconhecimento, sucesso e status.

 

A mente que permanece em equilíbrio meditativo vê a realidade como ela é. Porque ela vê a realidade como ela é, o Bodhisattva entra na grande compaixão para todos os seres vivos.

 

  1. A qualidade libertadora da sabedoria

 

“A qualidade libertadora da sabedoria é o reconhecimento de que todos os fenômenos são inatos”.

 

“A Sabedoria pode ser completamente definida como aquilo que reconhece o estado inato dos agregados (Skandhas), elementos e fontes dos sentidos, e que os reconhece como vazios na sua própria natureza”.

 

A essência da sabedoria é o entendimento abrangente e diferenciado de todos os fenômenos.  Identificamos duas espécies de sabedoria: a sabedoria mundana, que resulta do estudo das quatro ciências: a medicina, a lógica, a lingüística e as artes, e a sabedoria não mundana, que também se denomina ciência interna. Ela diz respeito a todas as formas da compreensão que resultam do estudo dos nobres ensinamentos do Dharma.

 

“Pensar que o “eu” e o “meu” existem contradiz a sabedoria suprema. Isto acontece porque, no pleno reconhecimento da realidade como ela é, o “eu” e o “meu” não existem”.

 

“Aqueles que acreditam que a existência é verdadeira são como burros de carga, mas aqueles que acreditam na não existência são mais burros ainda”.

 

“Tudo o que é exterior não é existente nem não existente. A mente também não se deixa capturar. Rejeitar todos os conceitos é a característica do inato”.

 

O reforço das qualidades libertadoras

O reforço das qualidades libertadoras acontece através da consciência original, da sabedoria e da dedicação.

 

A purificação das qualidades libertadoras

A purificação das qualidades libertadoras é causada pela vacuidade e pela compaixão.

 

O fruto das qualidades libertadoras

O resultado das qualidades libertadoras deve ser entendido de duas formas:

- o fruto último, que é atingir a iluminação insuperável e

- o fruto passageiro da felicidade dentro do círculo das existências.

 

 

 

Conteúdo original

Trechos selecionados por Lama Irene

Maio de 2001

Tradução

Traduzido em Arraial D’Ajuda - BA.

Janeiro de 2007

Revisão

Revisado no Rio de Janeiro

Março de 2007