| O XVI Karmapa |
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O 16º Karmapa O 16° Gyalwa Karmapa, Rangjung Rigpei Dorje, nasceu em Denkhok, no distrito Dergé de Khan (Tibet oriental), próximo ao rio Yangtze, no dia da lua cheia no 16° mês do ano do rato de madeira (1924). Ele nasceu numa família aristocrática de nome Athoub. Seu pai chamava-se Tsewang Norbu e sua mãe Kalzang Tcheuden. O Dzogtchen tulku, Chökyi Dorje, que era o chefe do famoso monastério Nyingma em Dzogtchen, previu o nascimento de um grande Bodhisattva na família Athoub. Seguindo seus conselhos, a futura mãe foi viver numa caverna próxima a Padmasambhava, chamada de Castelo Celestial do Leão. Pouco depois do nascimento da criança, Situ Padma Wangchuk Gyalpo abriu a carta com a marca esquerda com a previsão anterior da reencarnação e descobriu uma detalhada descrição da casa em que os pais de Rigpei Dorje moravam. Uma delegação foi enviada para achar o garoto, e ele foi rapidamente reconhecido como a 16ª encarnação do Gyalwa Karmapa. Aos sete anos de idade, Rangjung Rigpei Dorje entrou na ordem monástica menor sob a orientação de Situ Rinpoche e Jamgön Kongtrul de Palpung. Durante a viagem, Gyalwa Karmapa, o e seu cortejo encontrou o príncipe de Dergé, Tsewang Dudul, que o convidou a ir pra o seu palácio. O palácio, conhecido como Dergé Lhundrup Teng, fora construído no século XV pelo mais perfeito Tangtong Gyalpo, deixado próximo a Dergé Gonchen, o principal monastério da escola Sakya Ngorpa. O Gyalwa Karmapa aproveitou a oportunidade para visitar os enormes artefatos impressos no monastério e consagrá-los. Mais tarde, o grupo chegou a Palpung, onde o jovem Gyalwa Karmapa foi recebido com uma grande cerimônia. Quatro dias depois, ele foi entronado por Situ Rinpoche no principal templo do monastério. No 23° dia do 4° mês do ano do carneiro de ferro, Rangjung Rigpei Dorje e Situ Rinpoche, acompanhados por um grupo de milhares de monges, prepararam o monastério Tsurphu, como a moradia do Gyalwa Karmapa. Mais à frente, no monastério Gyina em Nang-Shin, Rangjung Rigpei Dorje, realizou a cerimônia do Chapéu Preto pela primeira vez em sua vida. Após a celebração auspiciosa, os viajantes pararam em Nyentchen Thanglha, um local de tradição Kagyu que sempre teve forte influência simbólica. Quando ele chegou a Tsurphu, foi calorosamente recebido por Palpung Kongtrul Rinpoche, Pawo Rinpoche e Gyaltso Rinpoche. Logo mais tarde, Rangjung Rigpei Dorje encontrou-se com o 13° Dalai Lama em Lhasa, que realizou a cerimônia do “corte de cabelo”. Então, retornando a Tsurphu, o Gyalwa Karmapa foi entronado pela segunda vez no assento dourado por Situ Rinpoche, Drukchen Rinpoche e Mipham Tcheukyl Wangpo, chefe da escola Drukpa Kagyu. Após quatro anos de seu entronamento, Rangjung Rigpei Dorje estudou sob a orientação de Beru Khyentse Rinpoche e o grande Pandit, Bo Gongkar, que era considerado o mais renomado nas escolas Kamtsang Kagyu da época. Gongkar Rinpoche tinha na memória a completa Tripitaka e o grande Dakya Dechung Rinpoche tinha sido seu aluno. Enquanto estudava sob a supervisão de Gongkar Rinpoche, o Gyalwa Karmapa relatava episódios de sua existência prévia ao seu Lama. Em 1937, Rangjung Rigpei Dorje e seus companheiros saíram em jornada para visitar Situ Rinpoche no distrito de Dergé em Kham. O Gyalwa Karmapa foi convidado a visitar o rei do palácio Nang-SHIN e o Gompa ao Tsechu, um monastério Drukpa Kagyu, que estava sob a sua autoridade. Ele ainda parou no monastério feminino de Kaytcha, monastério Drugpa Kagyu em Nang-Shin que hospedava mais de 900 monjas, o maior do Tibet. Quando Gyalwa Karmapa finalmente retornou ao monastério de palpung, ele encontrou Situ rinpoche. Desde então, Situ tornou-se o professor dos jovens no Kagyu Ngak Dzeu, um dos mais profundos trabalhos de Kongtrul Lodreu Thaye, que incluía os mais elevados ensinamentos tântricos de mapa Lotsawa. Ele também estudou o Dangnak Dzeu, uma coleção de ensinamentos das oito escolas originais do budismo tibetano. Após um breve retiro de meditação, o Gyalwa Karmapa e Situ Rinpoche foram convidados pelo general Chiang Kai-Shek a ir a China. No entanto, Gyalwa Karmapa não aceitou o convite, preferindo enviar Beru Khyentse Rinpoche como seu representante. No monastério de Khentse Tcheuky Lodreu em Dzongsar, Rigpei Dorje realizou a cerimônia do Chapéu preto, durante a qual apareceu ao Khyentse Rinpoche como Dusoum Khyenpa, o 1° Gyalwa Karmapa. No retorno de palpung, Rigpei Dorje recebeu a sua completa iniciação, instruções e leituras de rituais das práticas espirituais da linhagem Sakya (Droup Thap Kun Tou). No 9° mês do ano do dragão de ferro (1940), Gyalwa Karmapa iniciou a jornada de retorno a Tsurphu. Por três anos, após o seu retorno, ele praticou intensamente enquanto novos acréscimos ao monastério eram realizados. Em 1944, ele saiu em peregrinação durante a qual fez sua 1ª visita ao monastério Samye, e depois Lhodrak, a terra natal de marpa Lotsawa. Naquele mesmo ano, Rigpei Dorje foi convidado a ir ao Butão pelo 2° rei, Jigme Wangchuk. Enquanto ele estava lá, realizou a cerimônia do Chapéu Preto diversas vezes e deu muitas iniciações...
No ano seguinte, Situ Rinpoche, a despeito de sua idade avançada, viajou a Tsurphu para dar inúmeros ensinamentos aos seus filhos espirituais. Nesta ocasião, Rigpei Dorje, que tinha 22 anos, entrou na ordem maior com a benção de Situpa. O mestre ainda instruiu o jovem na coleção do Gyatchen Kedzeu Kongtrul Lodreu Taye e no Chikdje-Kundreul pelo Orgyen Rinpoche. O Gyalwa Karmapa recebeu a transmissão completa, as iniciações e as leituras rituais dos ensinamentos do terton Chogyur Lingpa. No mesmo ano de 1995, sérios conflitos romperam em Dergé e Nang-Shin, na região de Khan. O Gyalwa Karmapa viajou para Chamdo, onde tentou restabelecer a paz entre as forças chinesas e os Khampas. Ambos concordaram em cumprir uma trégua de cinco anos. Em 1956, o Gyalwa Karmapa visitou Druk Dechen Chökor, o mais importante monastério Drukpa Kagyu. Ele deu ensinamentos e ainda realizou uma cerimônia de purificação. De lá, viajou por toda Sikkim e se encontrou com o novo rei, Tashi Namgyal. Naquele momento, as pessoas celebravam os 2.500 anos do aniversário do paranirvana de Buda. O Gyalwa Karmapa e seus companheiros continuaram a sua jornada até a Índia e ao Nepal, onde visitaram todos os lugares sagrados. Do Nepal, Rigpei Dorje retornou à Índia e viajou às famosas cavernas Ajanta, onde esculturas de Buda da época da dinastia Goupta estavam preservadas. Em Kalimpong, o Gyalwa Karmapa encontrou sua alteza real, a princesa Ashi Wangmo. A princesa butanesa tinha começado a construir um monastério para Gyalwa Karmapa no Butão oriental. Rigpe Dorje foi questionado se desejava abrigo no monastério Rumtek em Sikkim, que tinha sido construído durante a vida do 9° Gyalwa Karmapa. Naquele momento, ele havia declinado do convite explicando que iria para lá quando houvesse a necessidade no futuro. Quando Rigpei Dorje retornou a Tsurphu no começo de 1957, novos conflitos tinham irrompido em Kham. Uma leva enorme de pessoas, verdadeiras multidões fugiram em direção ao Tibet central. Dentre eles haviam muitos Lamas Kagyu incluindo o 9° Sangye Nyenpa Rinpoche, Situ Rinpoche, Talep Rinpoche e seus discípulos que foram para Tsurphu. E foi ao mesmo tempo em que Gyalwa Karmapa reconheceu o novo Kongtrul Rinpoche de Palpung e Bongsar Khyentse Rinpoche. Gyalwa Karmapa recebeu as transmissões das escrituras e os ensinamentos no Longchen Dzeudun, a união mais profunda em sete volumes de Longchenpa relacionado com o Maha Ati (Dzochen). De Kham, o conflito se espalhou inexoravelmente para o centro do Tibet. O Gyalwa Karmapa enviou Situ Rinpoche, Sangye Rinpoche e o venerável mestre de meditação Kalu Rinpoche para o Butão. O jovem Jamgon Kontrul de Palpung foi enviado com sua família de ricos mercadores para ficar em Kalimpong na Índia. Entretanto, Gyalwa Karmapa recusou-se a partir naquele momento, afirmando que iria ao Butão se a situação piorasse. Ele pretendia ficar em Tsurphu até o último instante, para ajudar os refugiados nas suas fugas. A luta entre o exército comunista chinês e a resistência Khampa estava enfurecendo todo o Tibet. Dia a dia tornava-se mais evidente que a antiga cultura budista tibetana seria apagada como uma chama de uma lamparina. Percebendo que a sua vez de deixar o Tibet tinha chegado para assegurar a preservação do Dharma, Rigpei Dorje informou ao Dalai Lama suas intenções. Assim, na 4ª noite do 2° mês do ano do porco de terra, o Gyalwa Karmapa, vestiu-se com roupas simples e, acompanhado por 160 pessoas, deixou Tsurphu, carregando consigo relíquias preciosas e objetos de rituais iluminados suficientes para permitir uma jornada mais rápida. Seu cortejo foi composto por tulkus, monges e pessoas leigas. Shamar Rinpoche, Gyaltsab Rinpoche, o mestre de meditação Drupon Tenzin Rinpoche, Dabtrul Rinpoche, Khandro Chenno a esposa do 15° Gyalwa Karmapa Khakyab Dorje, e outros o acompanharam. O grupo escapou pelos Himalayas em direção ao Butão. Eles tinham apenas suprimento para duas semanas, mas foram ajudados pela população local por onde passavam. Ao longo do caminho, fez breves paradas, uma delas no lar de Marpa Lotsawa, em Lodrak, e num dedicado templo de Milarepa,a famosa torre da nona estória, construída por pedido de Marpa. Lá, Gyalwa Karmapa concedeu a iniciação a Milarepa e realizou a sua sadhana. Nas passadas finais, em plena neve, em Mon La Gar Chung (a uma altitude de seis mil metros), marcando o limite entre o Tibet e o Butão, Gyalwa Karmapa, começou a apressar toda a expedição, explicando que todos teriam que passar por ali naquele mesmo dia. Com a ajuda dos guias locais, todo o grupo conseguiu impulsionar, reunindo suas últimas forças para chegar ao Butão. Na noite seguinte, uma forte nevasca caiu bloqueando qualquer caminho por dois ou três dias. O grupo então percebeu que soldados os estavam seguindo de perto há algum tempo, e que Gyalwa Karmapa não os alarmou para que não fossem capturados. 21 dias depois da partida de Tsurphu, Gyalwa Karmapae seus companheiros chegam ao distrito de Bumtang no Butão, onde foram recebidos calorosamente pela princesa Ashi Wangmo que também era uma monja. Kalu Rinpoche, cercado por monjes, veio visitar Gyalwa Karmapa em Tashi Chedzong, como fez também Situ Rinpoche. Após encontrar-se com o rei Jigme Wangchuck em Thimphu, a capital do Butão, Gyalwa Karmapa decidiu ir para a Índia.Em Baka, na fronteira do Butão coma Índia, Rigpei Dorje encontra o 1° ministro de Sikkim, Banya Tashi Dadul, que conduziu o convite do Maharaja para ir a Sikkim. Gyalwa Karmapa aceitou o convite e, no 25° dia do 4° mês do ano do porco de terra (1959), ele e seus companheiros chegaram em Gangtok, a capital de Sikkim. Gyalwa Karmapa recebeu calorosas boas vindas da família real e da população. Quando perguntado onde desejava estabelecer-se, ele respondia que como todo o refugiado tibetano tinha a esperança de que um dia retornaria ao Tibet e que as suas estadas seriam apenas temporárias. Apesar disso, desde o 9° Gyalwa Karmapa Wangchuck Dorje, que construíra o monastério de Rumtek, ele, o 16° Gyalwa Karmapa, também se estabeleceria no exílio naquele local. Não muito depois de ter chegado a Rumtek, o Gyalwa Karmapa entronou Kongtrul Rinpoche de Palpung numa sofisticada cerimônia, e lhe conferiu diversas iniciações. Naquele mesmo inverno (1959-1960) Rigpei Dorje foi para a Índia onde se encontrou com o Dalai Lama em Benares e depois com o Pandit Nehru, que foi 1° ministro. Nehruera muito simpatizante ao budismo e ao trágico êxodo do povo tibetano. Durante o verão, Gyalwa Karmapa deu muitas iniciações Às multidões que se amontoavam para vê-lo. Os governantes de Sikkim e Índia doavam consideráveis fundos para ajudar a construir um novo monastério, em 75 acres de terra próximos ao antigo monastério de Rumtek. O lugar escolhido apresentava muitos sinais favoráveis: era de frente para sete morros, sete rios cortavam a terra, havia uma grande montanha por detrás, outras muitas montanhas cobertas de neve ao longe e, abaixo, um rio cujo curso tinha um formato de uma concha. Os discípulos de Gyalwa Karmapa estavam tão entusiasmados nos seus trabalhos que a construção foi concluída em quatro anos. O Gyalwa Karmapa ordenou mais de 3000 monges e reconheceu centenas de tulkus. Ele foi responsável pela publicação de uma nova edição da Dergé Kangyour, a enciclopédia dos ensinamentos do Buda. Num gesto de extrema fraternidade e solidariedade, distribuiu 170 cópias de seu trabalho às quatro escolas tibetanas de budismo e aos representantes da crença Bönpo. Ele fez três turnês pelo mundo. Muitos Lamas Karma Kagyu estabeleceram centros de Dharma no ocidente, e o Gyalwa Karmapa os visitou e deu ensinamentos. Durante sua terceira turnê, ele concentrou especificamente no EUA e no sudeste asiático. Ele estabeleceu centros de Dharma e monastérios em vários lugares do mundo todo no intuito de proteger, preservar e espalhar os ensinamentos do Buda. Rangjung Rigpei Dorjé deixou seu corpo em 5 de Novembro de 1981 em Zion, Illinois, EUA. Como Kalu Rinpoche nos lembrou quando ele visitou o DKL (DHAGPO KAGYU LING) em Novembro de 1984, o Gyalwa Karmapa previu que a sua 17ª encarnação seria bem mais influente no mundo que a sua 16ª.
Traduzido por Kunkyen Zangpo em 06 de Agosto de 2006.
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