Professores do Dharma

Professores do Dharma

Olá queridos amigos,

Perguntam-me com frequência o que é um professor do Dharma, se é um lama ou um monge, etc. Eu estou tentando agora esclarecer um pouco esta questão e explicar como isto funciona em nossa organização:

Um professor do Dharma é uma pessoa que ensina meditação e filosofia budista. Substitui o termo tibetano Lama. Lama na verdade deriva do termo “Guru” que é uma palavra em sânscrito que significa literalmente a “mais alta mãe”. “Alta” indica aqui algo que está além – as qualidades desta pessoa. A palavra “mãe” denota o comprometimento do mestre para com o discípulo. Significa também um grande número de qualidades. Eu sinto que nós deveríamos denominar “lama” aos mestres do budismo, uma vez que eles verdadeiramente preenchem os requisitos (qualidades) para assim serem chamados.

Eu sinto que referir-se a nós como “lamas” não seja apropriado, o mais adequado é usar o termo professores do Dharma. Contudo, mesmo entre os tibetanos esta história é um tanto confusa. Se um tibetano diz “lama” poderia significar tanto monge como um professor do Dharma. Alguém que está engajado em muita meditação e que pudesse ter atingido algum sucesso nesta prática poderia ser denominado um “lama-drupla”. Eu acho que este termo é usado tão frequentemente, que acabou por perder seu valor intrínseco, sendo ligado à cultura tibetana.

Shamar Rinpoche decidiu mudar isto. Um “lama” é, agora, simplesmente um professor do Dharma. Um professor do Dharma aprendeu sobre a prática e filosofia no retiro clássico de três anos. Após o retiro, ele é acompanhado por um professor sênior como guia, por pelo menos mais três anos. Todos os professores estão continuamente aprofundando sua prática e conhecimento. Um professor que vem ensinar no Brasil teve esclarecimento a respeito do que ele pode fazer e teve sua atividade aprovada por um mestre.

Contudo tal professor do Dharma tem a responsabilidade de conduzir sua vida apropriadamente e dar continuidade à prática e ao estudo para ser digno de ser professor. Ele pode levar a vida como um monge ou monja ou como leigo. Isto significa que um professor do Dharma que é leigo ou leiga pode se casar. É sua escolha se ele poderá beber álcool de uma maneira decente.

Um professor do Dharma que é monge ou monja não pode se casar ou beber álcool. Todos os professores indicarão seu status para vocês. Vocês deverão procurar saber sobre isto e abordá-los propriamente – o que, é claro, todos já fazem. Por exemplo, vocês não podem oferecer bebidas alcoólicas para um monge ou monja e também devem tratá-los com respeito em termos de distância física. Seria bom lembrar isto quando apresentarem um professor, de modos que todas as pessoas compreendam e com isto, pode-se evitar alguns mal entendidos mais tarde. Uma vez que todos nós somos pessoas normais, vocês podem se sentir à vontade para perguntar e ter certeza.

Todos os professores do Dharma têm comprometimentos com sua prática feita nas manhãs e tardes. Perguntem-lhes como eles gostariam de fazer isto. Eu acho que vocês podem sempre perguntar se podem acompanhá-los nestas práticas e deixar em aberto para cada um se eles concordam ou não.

Em termos de comida, uma vez que isto é perguntado frequentemente, vocês devem perguntar aos professores diretamente. Alguns comem carne, alguns, não. Eu acho que o melhor é servir, preferivelmente, comida saudável.

Estejam cientes que todos os professores têm uma agenda muito apertada. Para conseguirem vir ao Brasil eles têm que manter um espaço livre o qual é planejado com um ano de antecedência. Por favor, tentem usar bem o tempo deles e saiba que eles mantêm este espaço para vocês e eles ficam muito felizes se podem compartilhar o Dharma com vocês.

Eu espero ter esclarecido isto um pouco. Eu prefiro que nós nos acostumemos com um termo em português e que entendam que todos que vêm para ensinar são autênticos professores do Dharma, levem eles a vida como monges, ou leigos.

Atenciosamente,

Gelek Tarchin